CELEM - CENTRO DE LÍNGUAS ESTRANGEIRAS MODERNAS
Retomar o percurso do Centro de Línguas Estrangeiras Modernas – CELEM, implica rememorar parte da história da educação nacional, no que concerne às línguas estrangeiras. Objetivando melhorar a instrução pública e atender às demandas advindas da abertura dos portos ao comércio, Dom João VI, em 1809 assinou o decreto de 22 de junho para criar as cadeiras de Língua Francesa e Língua Inglesa, iniciando um período de valorização do ensino das Línguas Modernas. Em 1837, com a fundação do Colégio Pedro II, cujo currículo se inspirava nos modos franceses, em seu programa constavam sete anos de Língua Francesa, cinco de Língua Inglesa e três de Língua Alemã.
Um outro momento marcante para o ensino das línguas estrangeiras foi a publicação de Cours de linguistique générale de Ferdinand Saussure, na Europa, em 1916, que contribuiu, sobremaneira, para que os estudos da linguagem assumissem um caráter científico. No contexto sócio-histórico e econômico os movimentos migratórios e o comércio internacional tornaram-se responsáveis pela mudança do perfil dos aprendizes que ora se apresentavam.
A partir do Estado Novo, a estrutura do ensino intensificou a ênfase no discurso nacionalista de fortalecimento da identidade nacional. Naquela conjuntura, o prestígio das Línguas Estrangeiras foi mantido no Ginásio. A Língua Francesa se apresentava ainda com uma ligeira vantagem sobre a Língua Inglesa e a Língua Espanhola foi introduzida como matéria obrigatória alternativa ao ensino da Língua Alemã. Mesmo com a valorização da Língua Espanhola no ensino Secundário, destaca-se que o ensino de Língua Inglesa teve espaço garantido nos currículos oficiais por ser o idioma mais usado nas transações comerciais, enquanto a Língua Francesa era mantida pela sua tradição curricular. Ressalta-se que a presença da Língua Francesa no sistema escolar, desde o Império, devia-se à influência da França em nossa cultura e na ciência, que foi ameaçada com a vinda do cinema falado em outros idiomas.
No Estado do Paraná, a partir da década de 70, movimentos de professores insatisfeitos com a reforma do ensino criaram o Centro de Línguas Estrangeiras no Colégio Estadual do Paraná, que em 1982 passou a oferecer aulas de Língua Francesa, Inglesa, Espanhola e Alemã aos alunos, no período de contraturno.
Na década de 80, a redemocratização do país foi o cenário propício para que os professores liderassem um amplo movimento pelo retorno de Línguas Estrangeiras nas escolas públicas. Em decorrência de tais mobilizações, a Secretaria de Estado da Educação criou, oficialmente, os Centros de Línguas Estrangeiras Modernas (CELEM), em 15 de agosto de 1986, como forma de valorizar o plurilinguismo e a diversidade étnica que marca a história paranaense. Destaca-se que o comprometimento com o plurilinguismo como política educacional é uma das possibilidades de valorização e respeito à diversidade cultural, garantido na legislação, pois permite às comunidades escolares a definição da Língua Estrangeira a ser ensinada. O CELEM se caracteriza pela oferta extracurricular e gratuita de ensino de Línguas Estrangeiras nas escolas da rede pública do Estado do Paraná incluído no PPP da escola em que está inserido.
A procura por parte da comunidade pelos cursos de Língua Estrangeira, explicam as demandas pela formação de profissionais graduados e concursados para o ensino das Línguas Estrangeiras. Assim, com o Concurso Estadual para as disciplinas de Língua Espanhola e Italiana, o CELEM do Colégio Wilson Joffre passou a contar com professores habilitados e concursados nas disciplinas ofertadas. Os cursos são ministrados com duração de dois anos, somando uma carga horária de 320 horas aulas, perfazendo uma carga horária semanal de quatro horas/aula.
A arte, a produção econômica, a música, a comunicação, quer seja por meios virtuais ou não, dentre outros processos, têm colocado os sujeitos em contato com outras línguas, exigindo o conhecimento das mesmas para que a interlocução se efetive. O desafio que se apresenta, nesse contexto, é o de promover, por meio de políticas públicas, o acesso de um número cada vez maior de pessoas ao conhecimento das Línguas Estrangeiras Modernas.
A inclusão das línguas estrangeiras no CELEM dá-se de acordo com a demanda e as necessidades da comunidade escolar por meio de projeto encaminhado à SEED. A abertura das aulas do CELEM, no Colégio Estadual Wilson Joffre, se deu em 06 de maio de 1988 com aulas de Língua Francesa, Língua Alemã e Língua Espanhola, sob a direção de Valdevino Simões Perico e com direção das aulas os professores Luiz Gonzaga (Língua Francesa), Bertolino Tenfen (Língua Francesa e Língua Espanhola), Frederico H.H. Fischdick e Milano Adolfo Scheidt (ambos os professores de Língua Alemã). As turmas se dividiam nos três turnos inclusive no intermediário (17h30min às 19h00min). A Língua Alemã foi ofertada até 1992, após esta data por falta de professor ficou inviável sua continuidade. Em 1996 foi incluída a oferta da Língua Italiana pela professora Ana Maria Marques.
Como o Colégio Estadual Wilson Joffre era o único que tinha autorização da SEED para funcionamento do CELEM, o mesmo foi estendido a outros colégios, permanecendo a parte administrativa no Colégio Estadual Wilson Joffre:
O Colégio Estadual Wilson Joffre – Ensino Fundamental, Médio, Normal e Profissional oferta os idiomas Espanhol, Italiano e Francês, podendo incluir novos idiomas à medida que estes se apresentarem como necessários. Em 2009 foi autorizado o funcionamento do Mandarim, porém espera a vinda de professor qualificado para assumir as aulas.
Os procedimentos referentes à matrícula, processos de avaliação, recuperação de estudos e promoção, freqüência, formação e funcionamento de turmas, demanda, remanejamento e transferência, documentação, definição de docentes, registros de avaliação, carga horária, freqüência e certificação seguem as orientações da mantenedora, por meio de instrução normativa da Superintendência da Educação.
O CELEM tem uma sala equipada com televisão e aparelho de DVD, não conta com uma televisão Multimídia nem de biblioteca equipada, desenvolve o trabalho com a falta de dicionários, fator que se revela uma demanda para a instituição e para a mantenedora. O material didático utilizado é elaborado pelo próprio professor da disciplina (apostilado) com uso de seu próprio acervo e biblioteca pessoal, demonstrando uma fragilidade a ser superada por meio do investimento nessa área, por meio da compra de material didático-pedagógico.
Em 2008, o CELEM teve 64 concluintes, destes 47 de língua espanhola, 9 de língua francesa e 8 de língua italiana. Em 2009 estão matriculados 293 alunos, destes 162 de língua espanhola, 53 de língua francesa e 73 de língua italiana.
Atualmente os cursos encontram-se organizados de acordo com a Resolução nº 3904/2008, da Secretaria de Estado da Educação e Instrução nº 019/2008, da Superintendência da Educação/SEED, a qual estabelece critérios para a implantação e funcionamento de cursos de Línguas Estrangeiras Modernas (LEM) e atribuições para os profissionais com atuação nos Centros de Línguas Estrangeiras Modernas (CELEM) da Rede Estadual de Educação Básica do Estado do Paraná.
Os cursos ofertados neste estabelecimento de ensino, por intermédio do CELEM, estão organizados em Básico e de Aprimoramento, sendo este último ofertado desde 2008 após sua liberação pela SEED. Os Cursos Básicos são ministrados com duração de dois anos, somando uma carga horária de 320 horas/aula, perfazendo uma carga horária semanal de quatro horas/aula, distribuídas de acordo com cronograma específico e os de Aprimoramento tem duração de um ano, com carga horária de 160 horas/aula, sendo que as turmas são distribuídas nos turnos regulares e intermediários, de acordo com a demanda, objetivando atender o maior número de pessoas possível.
A proposta pedagógica curricular de cada curso segue as orientações específicas da mantenedora, neste caso a Secretaria de Estado da Educação – SEED. Para tanto, tomar-se-á como parâmetro as Diretrizes Curriculares Estaduais (DCEs) para o Ensino de Língua Estrangeira Moderna (LEM), observando-se as especificidades inerentes ao ensino e a aprendizagem de cada idioma em estudo.
Propõe-se que as aulas de Língua Estrangeira Moderna constituam em espaço para que o aluno reconheça e compreenda a diversidade linguística e cultural, de modo que se envolva discursivamente e perceba as possibilidades de construção de significados em relação ao mundo em que vive. A proposta adotada se baseia na corrente sociológica e nas teorias do Círculo de Bakhtin, que concebem a língua como discurso. Assim sendo, define-se como conteúdo estruturante da Língua Estrangeira Moderna o discurso como prática social.
Essa Proposta Pedagógica Curricular apresenta os objetivos do ensino de línguas, os conteúdos estruturantes e específicos a serem contemplados nos diferentes cursos, os encaminhamentos metodológicos que nortearão a prática docente, a avaliação e as referências. Ou seja, referem-se ao ensino dos diferentes idiomas com os quais o CELEM trabalha, sendo o elemento orientador da organização da prática dos diferentes docentes.
Elaborado pelos professores do colégio.